Igreja de São Vicente de Fora | Património II
'Construção emblemática dos primeiros anos da União Ibérica, erigida num dos morros orientais da cidade oriental sobranceiros ao Tejo, o novo edifício do Mosteiro de São Vicente de Fora (casa agostiniana contemporânea da conquista de Lisboa aos mouros) é a mais importante peça da arquitectura portuguesa de fins do século XVI. Construída entre 1582 e 1629, em morosas obras dirigidas por Filipe Terzi, Baltazar Álvares e Pedro Nunes Tinoco, segundo modelo inicial que se atribui ao arquitecto de Filipe II, Juan de Herrera, que em 1582 se deslocou de Madrid para vistoriar as novas empresas régias, trata-se de obra maior do património nacional. A fachada, da autoria de Baltazar Álvares, desenvolve em moldes pioneiros o figurino do chamado Estilo Chão, adaptando a monumentalidade do último Maneirismo romano à tradição portuguesa: alçado cingido em andares com ritmos alternados na definição das aberturas, varandim superior e coroamento de altas torres laterais. Este modelo, absolutamente original na nossa arquitectura, vai constituir força de lei nas fachadas erguidas no século XVII pelo Mundo Português, da Índia a Macau e ao Brasil.'

'Já o interior basilical, que segue tanto a Catedral de Valladolid, de Herrera, como o Gesù de Roma, de Vignola e Giacomo della Porta, revela a influência do gosto herreriano, com cobertura de berço segmentado por teia de caixotões de módulo variado, transepto inscrito, capelas laterais intercomunicantes, retro-coro e ampla capela-mor, de tipo escurialense. O ritmo das pilastras emparelhadas, ladeando as capelas, as mísulas triglifadas do entablamento e o sistema de iluminação por fenestras termais, mostram a monumentalidade do espaço, na procura de uma nova espacialidade contra-reformista.'

'A operacionalidade artística de São Vicente de Fora estende-se à qualidade das capelas, que têm boa obra de talha (de Manuel da Costa e Manuel de Jesus Abreu, 1734, a das Almas) ou, no caso da Capela das Onze Mil Virgens, um forro de mármores de cor da autoria do arquitecto Carlos Mardel (1740). Destaque para a Sacristia, obra do arquitecto Luís Nunes Tinoco (portada barroca de 1691) e para a Portaria conventual, forrada de mármores, com tecto em perspectiva ilusionística da autoria do pintor florentino Vincenzo Baccherelli (1710) e azulejos azuis e brancos do 'Ciclo dos Grandes Mestres' com um panorama de Lisboa.'
Etiquetas: Viagens ao Passado e do Presente...




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